quarta-feira, 11 de maio de 2011

O líder encarnado

Até onde a altura da minha ignorância me permite enxergar, ainda não encontrei uma forma de representar ampla e profundamente toda a complexa simplicidade da essência da liderança conforme vivida por Jesus. De algo, porém, não tenho qualquer dúvida: o quadro deve incluir a encarnação.

Mesmo tendo participado de tantos processos de transformação organizacional quantos me fizessem perder a conta, acompanhado ao vivo e em cores e estudado dezenas de outros casos de liderança, confesso que só recentemente percebi que a encarnação ou não dos líderes foi, é, e continuará sendo fator primordial que separa grandes sucessos de grandes fracassos. E que separa agilidade, rapidez e comprometimento, de postergação, negligência e falta de compromisso. Separa satisfação pela realização, da frustração pelo desperdício de tempo e esforços. Separa celebração de resultados, da busca desesperada de algum improvável sobrevivente do furacão que destruiu tudo por aqui. A distância astronômica entre o prazer do reconhecimento daqueles que nos levaram ao sucesso apesar das dificuldades do percurso, da caça às bruxas dos culpados por termos dado tantas voltas e não termos chegado a lugar nenhum.

Falemos, portanto do que estamos falando.

Estamos falando de um líder que faz parte e faz junto com os que fazem, não aquele que simplesmente espera que façam o que ele (já) disse (tantas e tantas vezes) que tinha de ser feito.

Aquele que nem sequer imagina que mais profunda do que a incoerência do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” é a necessidade de saber o sabor do que o outro come antes de falar da sua fome, é saber o frio que o outro passa antes de falar de solidariedade, é a necessidade de sentir a dor, a solidão, a prisão e a sede do outro antes de falar de nossa compaixão por ele. De viver junto antes de falar de comunhão. De tirar a placa de vaga reservada antes de falar de igualdade.



Aqueles imersos na ilusão de uma liderança asséptica. Sem contato. Sem toque. Sem risco de contágio. Por controle remoto. À distância. Por vídeo conferência. Pelo telefone. Via internet. Por e-mail. Do púlpito. Da matriz. Das salas de reunião. No Second Life, nunca na vida real.



Os alimentados da ilusão de que o líder tem de ser diferente de nós para que nós o admiremos. Ser distante para que o sigamos. Parecer divino para que o adoremos. Como nos ensinou Peter Drucker ao falar das pequenas baixas entre os generais na 1a Guerra Mundial. Fruto da decisão de não mais acompanharem as tropas no campo de batalha. Exemplo histórico da liderança em que outros, não o líder, assumem os riscos e as conseqüências negativas pelo que for, ou não for feito. Num discurso já padronizado para resultados e responsáveis: pela derrota, eles; pela vitória, eu.



Liderança, liderança mesmo, precisa-se aprender. É esvaziar-se do eu e encarnar a forma do outro, é sentir o que ele sente, é viver o que ele precisa, é dar de si para atender suas carências. Não é uma viagem do pó da terra até as nuvens do Olimpo, mas da infinitude da Eternidade para a finitude da História. Não é livrar-se da brevidade da existência na frieza do mármore de estátuas, mas na trama eterna que as linhas da nossa biografia tece com as linhas da biografia do outro.



Jesus, o Filho, é Deus. Sempre. Sempre Senhor de tudo e de todas prerrogativas, mas ao contrário dos que almejam a primazia, o posto mais alto, o destaque, o primeiro lugar, fez o caminho inverso. Para nos liderar, esvaziou-se. Enquanto líderes se endeusam, Ele se humanizou. Enquanto líderes se afastam, Ele se aproximou. Enquanto eles se servem de nós, Ele nos serviu. Enquanto se isolam no último andar, Ele se deixou envolver por um útero adolescente. Enquanto eles se entronam em ouro, Ele se deitou no feno da manjedoura. Aqueles se cercam do brilho do luxo; Ele se cercou da pobreza dos mais pobres, da necessidade dos aflitos, da tristeza dos rejeitados, da escuridão dos cegos no corpo e no espírito. Aqueles caminham suspensos sobre as cabeças dos mortais; Ele arrastou os pés pelo pó da terra, matéria prima do Seu e dos nossos corpos. Sendo Deus, fez de Si mesmo carne, para nos fazer eternos como Ele. Aqueles se embriagam de sucesso, Ele se esvaiu no vinho de Seu sangue. Eles salvam a si mesmos sacrificando a todos que sujeitam. Ele sujeitou-se a salvar a todos pelo Seu sacrifício.



Liderança, liderança mesmo, não é um processo de expansão do eu, mas de sua limitação. Não é a trajetória entre o desejo de ter poder até ter todo o poder, mas caminho inverso, entre o privilégio de poder até a decisão de servir.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma liderança competente


Quando você pensa em alguém competente, o que lhe vem à mente? Talvez alguém com muito conhecimento sobre um determinado assunto, ou alguém que tem muita habilidade em determinada função. Certamente associamos competência com alguém que sabe o que faz.

Uma definição mais técnica sobre o assunto pode ser a seguinte: competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que, quando devidamente colocados em prática, geram os resultados desejados. Preciso ter o conhecimento na mente, nas mãos (habilidades) e no coração (atitudes) devidamente alinhados e colocados em prática para atingir algum resultado desejado.

Quero chamar a atenção para a palavra resultado. Ninguém acha competente um time que não vence o campeonato. Ele pode ter toda a habilidade, mas se não chegar ao seu objetivo, não cumpriu sua missão. Com este pensamento, chego à conclusão que competente é todo aquele que cumpre a missão!

A Bíblia nos dá vários exemplos sobre pessoas que cumpriram integralmente sua missão, ou seja, foram competentes. Chama-me a atenção a figura do servo de Abraão, descrito em Gênesis 24. Aqui a palavra hebraica tiçaleah (v. 12, 21, 40, 42, 56) aparece pela primeira vez, traduzida por prosperidade, levar a bom termo, ser bem sucedido, coroado de êxito.

A primeira idéia que salta no texto é que a prosperidade acontece na vida de um servo e não tem relação com dinheiro. O servo (talvez Eliéser) é chamado pelo seu senhor Abraão para, sob juramento, lançar-se na missão de buscar a esposa de Isaque. A preocupação de Abraão refere-se a sua descendência. O desejo de Deus é que seus sucessores abençoariam todas as famílias da terra. Abraão estava convicto disso. Daí a grande importância daquela missão. O servo não podia errar. Era uma missão de um tiro só.

O servo prepara dez camelos de presentes e suprimentos para a viagem. Sai na direção da terra da família. No caminho faz sua oração, mostrando que tinha vida com Deus. Havia aprendido com seu senhor Abraão a depender de Deus em suas decisões. Faz seu pedido de sinal e, surpreendentemente, logo aparece a moça oferecendo-se para dar água a ele e todos os seus camelos. Que sinal! Que providência! Momento de adorar a Deus. Mas ele, cautelosamente, não se precipita em contar todo o plano para Rebeca e espera para conhecer a família da moça. Precisava confirmar seu parentesco e conquistar a confiança. Segue adiante, conhece Labão e os demais parentes. Apresenta todo o testemunho de Abraão e de sua missão. Conquista a confiança e, somente depois de confirmado que ele poderia levar a moça, ele entrega os presentes. Prudência e sagacidade. No dia seguinte Labão quer continuar a festa, mas o servo, focado em seu objetivo, solicita licença para continuar sua jornada e completar sua Missão. Assim acontece, Isaque e Rebeca casam-se e o servo se alegra pela conclusão de seu abençoado trabalho.

Quantas lições podemos tirar desta história que revela alguém competente em sua missão. Assim nós também temos recebido de Deus uma Missão que envolve preparar a noiva (Rebeca/Igreja) para o noivo (Isaque/Jesus). Temos os dons e talentos (camelos como presentes) capazes que abrir portas e conquistar corações. Devemos tomar cuidado para não nos distrair e não nos precipitar ao longo da caminhada. Nosso foco deve estar concentrado na evangelização e discipulado. Isso agrada a Deus. Ao final, que possamos falar: combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé (2 Tm 4.7). Sejamos, pois, uma liderança competente, que completa sua missão.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

2ª IGREJA BATISTA REGULAR EM PORTO VELHO


Av. Amazonas nº 3967 Box 07 - Bairro: Agenor de Carvalho

MINISTÉRIO PASTORAL:
Pr. Marcos Glaison Alencar Ferreira


NOTICIAS DE FEVEREIRO DO CAMPO RONDONIENSE 2011


“COM EFEITO GRAMDES COISAS TEM O SENHOR FEITO POR NÓS POR ISSO, ESTAMOS ALEGRES” (SALMO 126.3)

AMADOS IRMÃOS SAUDAÇÕES EM CRISTO,

Esse versículo traduz com autenticidade o que DEUS tem feito em nossas vidas e no nosso ministério, são muitas as benção recebidas, por isso, estamos alegres e motivados para fazer a obra que ELE nos confiou.
Recebemos uma visita maravilhosa do Pr. Elias, ele estava vindo do Rio Branco a onde realizou uma conferência na Igreja Batista Independente do Pr. Allan, um grande amigo nosso. Passou em Porto Velho e pernoitou em nossa residência e no dia seguinte foi para Labrea/AM realizar uma outra conferência na Igreja Batista do meu amigo e irmão Pr. Fabiomar. A visita dele foi maravilha, fomos encorajados com a troca de experiências, e abençoados com sua comunhão. Ele conheceu os dois trabalhos que DEUS fundou através de nosso ministério, ficou encantado com os mesmos.
Estamos esperando as chuvas darem uma trégua para iniciarmos a construção do muro. Esperamos a autorização da Igreja Sião para transferirmos o terreno que ganhamos para o nome dela, para que possamos dar entrada na planta e reivindicamos a insenção do IPTU do terreno junto a prefeitura. O esposo de uma irmã da nossa congregação doou todo o material para o muro, agora temos de correr atrás da mão de obra, conto com vossas orações e ofertas para que juntos possamos realizar o levante desse muro.
Infelizmente não irei para a AIBREB em Presidente Figueiredo em Manaus, devido a falta de condições financeiras, com certeza seria de grande relevância poder participar dessa associação, para apresentar os projetos juntos aos pastores ali presentes. Pretendo priorizar minha ida ao Ceara, em julho, para assistir a AIBREC, como a maioria das igrejas que me apóiam são dessa região, será mais viável me esforçar para estar com os amados irmãos.
Desafio os irmãos a investirem no campo rondoniense, é um estado promissor, que tem 53 cidades, existe trabalhos regular em apenas duas cidades, ainda restam 51 cidades há serem alcançadas. Quero ver esse estado forte como o cariri, sei que estamos plantando apenas uma semente, que com certeza colhera muitos frutos para a glória e honra de DEUS.
Agradeço todo apoio dispensado ao nosso ministério, estou enviando anexo, balanço do relatório financeiro de 2010, juntamente com os relatórios referentes ao mês de fevereiro.


Pedidos de oração:
• Pelos estudos da minha filha Jessica – A mensalidade da faculdade subiu para 580,00 e estar muito complicado para continuarmos pagando, orem pra DEUS abrir as portas.
• Pela construção do templo – Precisamos muito das orações dos amados.
• Pela minha ida ao cariri para participar da AIBREC, que consiga o recurso financeiro para viagem


Agradecimentos:
• Pelo sustento que temos recebido do Senhor por meio das igrejas e irmãos
• Pela doação do terreno e do material para a construção do muro.

No amor de Cristo,

Pr. Marcos Glaison Alencar Ferreira

LINK DAS MENSAGENS EM AUDIO DO PR. MARCOS GLAYSON ALENCAR: http://www.4shared.com/dir/15658062/7dbdbd80/sharing.html


MISSÕES É ANDAR NO LIMITE DE DEUS E O LIMITE DE DEUS É ATE AOS CONFINS DA TERRA"

Gostaria que o amado pastor apresentasse o nosso ministério para que a amada igreja ore em nosso favor, sem dúvida alguma é a atitude prioritária que uma igreja pode fazer por missões, orar por seus missionários. Temos um blog na net, onde tem muitos estudos. http://minhajoinha.blogspot.com/ Temos um outro blog da 2ª Igreja Batista regular em Porto Velho, esse tem o objetivo de divulgar as informações da obra na capital de Porto Velho. O endereço é http://segundaigreja.blogspot.com/ Também temos no You tube vídeos que apresentam os 16 anos do nosso ministério como missionário , as igrejas fundadas no Ceará e em Rondônia, ao todos são 05(cinco) é só clicar nos endereços ao lado e assistir os videos:

1. Inicio do meu ministério(http://www.youtube.com/watch?v=1xt3Abagsho)
2. Ministério na 1ª Igreja Batista Regular em Porto Velho(http://www.youtube.com/watch?v=Q3H_b3Y1Dps)
3. Construção do templo da 1ª Igreja batista Regular em Porto Velho(http://www.youtube.com/watch?v=gbVhbdpLYKE)
4. Ministério na Igreja Batista Regular Sião Juazeiro do Norte/Ce(http://www.youtube.com/watch?v=P9i2mgwsaP0)
5. Construção do templo da Igreja Batista regular filadélfia e a inauguração do mesmo(http://www.youtube.com/watch?v=Hwyd2gauJ9k)
6. Ministério na 2ª Igreja Batista Regular em Porto Velho(http://www.youtube.com/watch?v=iX86VqQwoUw)
7. Formatura do Pr. Marcos Glayson Alencar ferreira 05-12-99(http://www.youtube.com/watch?v=FCyN3T4oqKk)
8. Vídeo da família do Pr. Marcos(http://www.youtube.com/watch?v=Oqk13_jCFgM)

Desde já agradecemos todo apoio dispensado, interesse e atenção que os amados tem demonstrado por meio das vossas orações, que Deus continue abençoando grandemente suas vidas. No amor de Cristo,

PR. MARCOS GLAYSON ALENCAR FERREIRA
Líder, quem influencia você?

Creio que alguém já deve ter dito que liderar é influenciar pessoas. Isso é fato. Assim sendo, quem influencia a vida do líder passa a ter um peso de importância multiplicado, tendo em vista que conscientemente ou não, na posição de líderes, estamos sempre repassando adiante algo das influências mais fortes que recebemos na vida.

Seria muito bom se todo líder tivesse um mentor ou algum outro líder a quem pudesse recorrer e compartilhar suas realidades, visando à elaboração de suas próprias idéias na troca de conhecimento com alguém mais experiente. Infelizmente, não é realidade na vida de muitos líderes, por uma série de razões que não cabe aqui listar. Mas nem tudo está perdido. Como líderes e, portanto, formadores de opinião, devemos buscar determinar, com bastante consciência, quem de fato irá nos influenciar espiritual, intelectual e eticamente.

Penso que uma das formas mais rápidas e eficazes que temos hoje para fazer isso é através daquilo que lemos. Um líder precisa ler bastante e com qualidade se quiser se manter em boa forma na liderança. Através de nossas leituras receberemos uma decisiva influência que poderá determinar até mesmo que tipo de líderes seremos. Se “somos aquilo que comemos”, podemos dizer também que somos aquilo que lemos. Afinal a leitura é alimento para o nosso intelecto.

Há muito lixo “intelectual” espalhado por ai. Um líder que deseja ser eficaz precisa ser bem seletivo em suas leituras. Precisa definir que tipo de autor o influenciará, que tipo de pessoas o ajudará a formar seus pensamentos e estruturar a sua vida.

De certa maneira, os autores que lemos serão nossos mentores. Suas idéias e seus estilos marcarão indelevelmente o nosso pensar e o nosso agir, e esta influencia será repassada na direção dos nossos liderados. Portanto, podemos e devemos escolher com bastante cuidado quem irá nos influenciar na vida. Através de nossas leituras receberemos “combustível” para tocar nossa liderança, encorajamento, “insights”, percepções novas, redirecionamentos, poderemos confirmar ou avaliar pensamentos e atitudes, refinar ações, etc.

Um líder que não se capacita por meio da leitura está pecando contra seus liderados e perdendo uma grande benção. Boas leituras abrirão um mundo de perspectivas novas para o líder, dando-lhe uma maior autoridade intelectual, e lhe tornando uma ferramenta mais preparada para ser usada por Deus.

Como lembrou Billy Graham a um grupo de estudantes de teologia que “ninguém vai cortar lenha com um machado cego”, investir tempo em leitura e estudo “afiará” o nosso machado e tornará nosso trabalho mais dinâmico e produtivo.

Seja proativo na escolha de quem lhe influencia. Não fique atrás apenas da última ênfase editorial ou moda da auto-ajuda ou coisa parecida. Procure manter um leque de leitura abrangente, mas tenha aqueles autores que lhe serão referência, verdadeiros mentores, que lhe ajudarão a formar uma mentalidade produtiva, sadia, espiritual, dinâmica, comprometida, crescente, humilde, sonhadora e realizadora.

O nosso mestre Jesus merece o melhor de nós e isto passa pelo tempo que gastamos lendo, acima de tudo a sua Palavra, e pela qualidade daquilo que permitimos entrar em nossa mente.

Como líderes cristãos, precisamos responder a seguinte questão: quem temos deixado influenciar a mente que Jesus redimiu?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Precisa-se de líderes que liderem

Parece uma contradição o tema deste artigo, mas não é, pois existe um tipo de líder que tem o cargo ou a função de líder, mas na verdade, nos momentos em que ele precisa provar a sua liderança fazendo aquilo a que ele é chamado a fazer, ele simplesmente se esconde, desaparece, intimidade-se e se torna omisso e inoperante.

Temos assistido esta cena em nosso país. O caos aéreo serve como um exemplo clássico dessa realidade. Temos uma série de instituições, a começar do próprio presidente, ligadas ao setor. Cada instituição com os seus respectivos líderes, mas até agora nenhum destes se mostrou capaz de dar uma resposta adequada, assumindo sua liderança, trazendo àqueles que dependem de sua direção uma visão de solução para toda esta realidade terrível que vivemos nessa área.

Uma série de erros destes líderes têm se somado sistematicamente, levando até mesmo a perda de vidas.

Temos assistido apenas a desculpas esfarrapadas, desinformação, contradições, atitudes esdrúxulas e a falta de ações relevantes e concretas que tragam alguma esperança ou mesmo solução para o problema, pois se o sistema de navegação e transporte aéreo funciona em outros países, com um tráfego maior do que o nosso, por que não tem funcionando no Brasil?

Faltam líderes, pessoas certas para os lugares certos, fazendo as coisas certas. Sabemos que os verdadeiros líderes se revelam nos momentos de crise, nos momentos decisivos da vida. O contrário também é verdade, se alguém está exercendo a função de liderança em algum setor, mas não é líder de verdade, será reprovado na hora da crise, pois lhe faltarão os recursos para demonstrar sua capacidade de liderar o povo através dos tempos difíceis. Uma liderança não pode ser mantida baseada apenas em títulos acadêmicos, conchavos políticos ou pela verbosidade daquele que se diz líder, mas sim por atitudes reais que sejam capazes de conduzir aqueles que estão na dependência da liderança por um caminho que vislumbre uma luz ao final de tudo.

Ainda usando o caos aéreo como exemplo, de todas as instituições envolvidas diretamente com o problema nenhum líder foi capaz de se levantar e assumir suas responsabilidades, ficando um esperando ou empurrando o peso para o outro, a ponto de um assessor direto do presidente dentro do palácio presidencial se regozijar obscenamente com o fato de saber que aparentemente a tragédia de Congonhas poderia ter tido um razão mecânica e não estrutural, ligada diretamente ao governo. Esquecendo-se ele de que ainda que isso fosse verdade, não isenta o governo de suas responsabilidades sob uma situação que é muita mais ampla e caótica do que uma peça defeituosa em um avião, e que entre outras razões se deve a falta de liderança adequada do governo e suas instituições do setor aeroportuário.

Em síntese, tem faltado um líder de verdade, alguém que se levante diante da nação e assuma o peso dos erros, encare as responsabilidades e que busque e apresente soluções reais, independentemente de seu custo político ou financeiro, pois o que tem estado em jogo são vidas humanas e estas não têm preço. Em tudo isso fica também para todos nós, entre tantas lições, o exemplo de como não ser líder. Líder é aquele que lidera e que lidera principalmente nas horas críticas, nas horas de pânico, de terror, de caos. Líder é aquele que é capaz de se levantar no meio da fumaça e dizer vamos por ali, e segue na frente de todos.

Em qualquer estância ou nível de liderança a essência da liderança é a mesma. Portanto, em qualquer lugar as pessoas estão sempre esperando que alguém possa assumir liderança sobre elas. O mundo é assim e a história nos ensina isso.

Um bom exemplo bíblico dessa verdade encontra-se na história de Davi. Um dia ele juntou um grupo de homens, até então marginalizados, e assumiu a liderança sobre eles. A Bíblia diz: “Davi fugiu da cidade de Gate e foi para a caverna de Adulão. Quando seus irmãos e a família de seu pai souberam disso, foram até lá para encontrá-lo. Também juntaram-se a ele todos os que estavam em dificuldades, os endividados e os descontentes, e ele se tornou o líder deles. Havia cerca de quatrocentos homens com ele (2 Samuel 22.1-2)”.

Em 1 Samuel 30 encontramos um relato maravilhoso de como Davi foi capaz de, ao mesmo tempo em que sofria a dor e a pressão das circunstâncias, liderar os homens e ver a situação mudar. Seu segredo está na afirmação do final do verso 6: “Davi, porém, fortaleceu-se no SENHOR, o seu Deus.”

Davi enfrentou batalhas, incompreensões, inadequações e fraquezas pessoais, assumiu a sua parte. Mas Davi dependeu de Deus, andou na presença do Senhor. Deus o capacitou e ele transformou um grupo problemático e estigmatizado em conquistadores. Tornou-se rei e edificou um reino forte e estável em um tempo caracterizado pela instabilidade. Ele pagou um alto preço, mas assumiu sua missão de liderar em momentos decisivos.

Mais do que nunca, em todas as esferas da vida, precisamos de líderes que liderem.

Você tem sido um líder que lidera?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O desafio da Liderança na pós-modernidade

A pós-modernidade é um fenômeno social caracterizado, principalmente, por uma forte rejeição ao projeto da modernidade: construir uma sociedade mais justa e mais feliz pelo pleno desenvolvimento da razão. De acordo com a epistemologia moderna, ciência, tecnologia e conhecimento seriam as chaves para um futuro melhor. O resultado da proposta moderna, no entanto, foram duas grandes guerras mundiais e todas as desastrosas conseqüências que delas advieram.

A mesma pós-modernidade, porém, pode ser caracterizada por um resgate de valores antigos. Em sua frustração com o racionalismo, não apenas super-dimensionou a importância dos sentimentos, emoções e vontade individual – o que, de fato, fez – mas redescobriu a necessidade de recuperar bases relacionais como o amor, a humildade, a honestidade, o perdão, o respeito, e assim por diante. Note, por exemplo, que estes termos são destaque especial num dos livros mais vendidos em todo o mundo sobre liderança: O Monge e o Executivo, de James Hunter.

Ocorre que o desafio da liderança já não é assumido em termos de razão e pensamento, mas em termos de serviço, relacionalidade, carisma. Conhecimento e capacitação intelectual não são mais sinônimos de sucesso em liderança – o que não significa que deixaram de ser importantes no processo de formação do líder. Significa, contudo, que à liderança pós-moderna deve-se acrescentar valores de caráter e sociabilidade antes não claramente contemplados.

Em suma: para a pós-modernidade, se unirmos ao conhecimento – que transforma-se aqui em um conjunto de técnicas eficazes para o uso na obtenção de resultados – os antigos valores do amor ao próximo, da humildade de espírito, do perdão sem reservas, da cooperação, do altruísmo, da esperança, desenvolveremos uma liderança bem-sucedida.

Mas, e se cansarmos pelo caminho? E se chegarmos aos alvos propostos e descobrirmos que deixamos a alma para trás (Rubem Alves lembra que há pessoas que não têm uma alma, mas o que têm, no lugar? é uma agenda)? E se concluirmos que o sucesso de nossa liderança não nos trouxe realização? Não nos trouxe paz?
E se fracassarmos? E se tivermos que lidar com o fato de que nas relações humanas nem mesmo as melhores iniciativas promovem os melhores resultados? E se descobrirmos que somos incapazes de amar de fato, especialmente os inamáveis (sugestivo o título de um dos livros que vi expostos no saguão: “Como trabalhar para um idiota?”), os que recusam amor e recusam-se amar? E se não formos humildes, não sentirmos prazer no serviço – antes no sermos servidos, não nos mostrarmos capazes de perdoar aos que nos feriram?

E se não soubermos lidar com nossos medos, independentemente da grandeza de nossas conquistas? E se não soubermos lidar com as expectativas das pessoas a nosso respeito, pelo simples fato de sabermos, sob as máscaras, as fantasias, os complexos, que não somos o que pensam de nós e o que realmente esperam que sejamos – razão pela qual nos confiam, muitas vezes, suas próprias vidas? Finalmente: e se descobrirmos, como muitos líderes já o fizeram, que Liderança é Angústia? Que não possui nada de romântica e não corresponde ao entusiasmo com que se fala sobre ela?

Então, vamos perceber que ainda não nos livramos do cárcere moderno, pois ao invés de acrescentarmos ao conhecimento a virtude e os valores antigos que tanto desejamos, só fizemos adquirir novos conhecimentos sobre a virtude e sobre os valores, acrescentado-os aos que já possuíamos, sem, contudo, sermos capazes de os experimentar.

Vamos descobrir, como Santo Agostinho, que nossa vontade pode ser obedecida por todo o corpo, mas nem sempre por si mesma. Que nosso cérebro pode comandar os mais diversos membros e seguir sem autoridade sobre os sentimentos e as emoções. Que nossa mente não é forte o suficiente para domar nosso coração. Que o espírito humano encontra na própria natureza humana a causa de sua inanição, tornando o ser-humano seu principal e mais terrível adversário.

E mais: vamos descobrir que precisamos de algo que vá além do impacto que as novidades nos causam; precisamos de transformação. Já não nos bastam apelos, incentivos, motivações de diversas ordens, quando a mudança que surge como imperativo é uma mudança de dentro para fora – a começar no coração. Precisamos de quem nos toque o coração.

Assim, chegamos à conclusão que é preciso não apenas resgatar valores antigos, mas, inclusive, a pergunta por aquele de quem nos vieram: DEUS. Que é preciso reencontrarmos, além do alcance de nossas percepções, aquele cuja essência – não o discurso – é amor e cujo poder é poder para transformar vidas. Que é preciso nos entregarmos em suas mãos com fé e sem reservas, de coração, mesmo que para o pensamento isso possa não nos parecer adequado.

Sim, chegamos à conclusão que, antes de liderar, é necessário submeter-se – pois não pode haver liderança onde não há submissão – ao domínio daquele que, vencendo-nos, triunfa sobre nosso principal e mais terrível inimigo. É preciso que resgatemos, pois, na revelação de seu filho Jesus Cristo, o Deus submetido a si mesmo (“vim para fazer a vontade de meu Pai”), o modelo de liderança daquele que não somente ensinou, mas viveu os valores que ensinou. E que em sua liderança sobre nossos corações encontremos o socorro que nos capacite a liderar outros em confronto direto com nossas angústias (“sem mim, nada podeis fazer”).

Para finalizar, lembro suas palavras de encerramento do sermão da montanha, em Mateus capítulo 7, as quais podem fazer ainda mais sentido para este público de um encontro da habitação: “Aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem que construiu sua casa sobre a rocha. Vieram os ventos, a tempestade, e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu. Mas aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um homem que construiu a sua casa sobre a areia. Vieram os ventos, a tempestade, e deram contra aquela casa, que caiu. E foi grande a sua ruína.”

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Igreja que Cristo está Edificando


“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (MATEUS 16:18).

Somos produto de uma geração que está vivendo um processo de grande efervescência religiosa. No Cristianismo, por exemplo, nunca se viu tamanha multiplicidade denominacional e também a diversidade de igrejas e grupos que dizem professar sua fé no Cristo ressuscitado. Torna-se cada vez mais difícil a um pesquisador da religião definir a origem histórica de boa parte desses grupos.

A citação bíblica aponta para uma igreja que estaria sendo edificada por Jesus. “Edificarei a minha igreja”. Os que se denominam cristãos dizem fazer parte de uma igreja que está construída sobre a Rocha, cujo fundamento é Cristo. Que são membros da única igreja, cuja salvação eterna pode ser garantida aos fiéis convertidos a Cristo. Mas diante da grande diversidade de pensamentos gerados nesse ambiente chamado cristão, coloco aqui pelo menos duas questões levantadas por J. C. RYLE em torno da igreja que Cristo está edificando: Qual seria a única igreja santa e verdadeira? Qual é o único aprisco sagrado e verdadeiro? Estas e outras questões vêm instigando a mente de muitos estudiosos e até cristãos sinceros que têm tentado encontrar no verdadeiro cristianismo o alento e respostas para suas questões existenciais. Se quisermos, de fato, identificar a igreja que Cristo está edificando, pelo menos quatro perguntas nos serão pertinentes.

Que igreja é está? Como é esta igreja? Quais são suas marcas? Onde pode ser encontrada?

A Bíblia nos fornece uma das mais preciosas declarações de Jesus a respeito desta igreja. Sua declaração foi simples e direta: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Ao contrário do antigo Judaísmo com seus ritos e tradições, Jesus fala sobre uma nova igreja com características próprias, forte, ativa e vitoriosa.

Jesus dá início à construção da sua igreja, colocando-se como a principal pedra de esquina, o fundamento de toda a construção. Colocaremos nossos esforços em conhecer esta igreja cujo proprietário e Senhor é o próprio Cristo. De acordo com J. C. RYLE veremos cinco características peculiares encontradas no texto citado, as quais nos darão uma compreensão mais firme e segura a respeito desta igreja tão especial.

1. Uma construção: “Minha igreja”
2. Um construtor: Jesus disse: “Edificarei minha igreja”
3. Um fundamento: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja”
4. Perigos implícitos: “As portas do inferno”
5. Uma declaração de segurança: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”

UMA CONSTRUÇÃO
O texto já começa falando sobre uma construção de natureza particular: “Minha Igreja”. Mas que igreja? Jesus não está falando de um templo feito por mãos. Não se trata de uma construção material. Não é uma igreja visível em particular na terra. Não é a igreja de Roma, certamente. Não é também a igreja localizada na Rua do Vasco, ou na Rua do Atlético, ou na cidade do Vaticano, ou em qualquer outro lugar. A igreja do nosso contexto é a menos notada aos olhos do homem do que qualquer outra igreja visível, mas é a igreja mais importante aos olhos de Deus.
A igreja que Jesus está edificando é formada por todos os crentes verdadeiros no Senhor Jesus Cristo, por todos os que realmente são santos e convertidos, todos aqueles que já foram feitos novas criaturas pela fé em Cristo Jesus, que já nasceram de novo. Este grupo constitui a noiva do cordeiro santo. Esta igreja não tem um endereço nem uma placa. Ela é constituída de pessoas lavadas pelo sangue do cordeiro.
Os membros desta igreja adoram com um só coração e são guiados por um só Espírito. Nenhuma igreja visível na terra tem o direito de dizer: “Nós somos a única igreja verdadeira”. Nenhuma igreja na terra tem o direito de dizer da outra que ela não tem doutrina, que é uma igreja fria ou sem amor. O templo de Salomão, em toda a sua glória, é inferior e desprezível quando comparado à igreja que está edificada sobre a Rocha. Fora desta igreja que está sendo edificada sobre a Rocha não há salvação. A igreja que abrange todo aquele que se arrepende e crê no evangelho de Jesus Cristo é a igreja à qual você deve pertencer. Você precisa se converter e se tornar membro da única igreja verdadeira, e esta igreja pertence a Jesus.

UM CONSTRUTOR
O texto do Evangelho de Mateus em seu capítulo dezesseis não se refere tão somente a uma construção, mas também a um construtor. O Senhor Jesus declarou: “Edificarei a Minha Igreja”. Segundo a declaração de Jesus, esse trabalho da edificação é sua tarefa especial. Nessa tarefa especial os membros dessa construção gozam de alguns privilégios. Há uma promessa de paz e segurança aos seus fiéis: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. (JOÃO 14:27).
O principal fundamento teológico que encontramos nesta igreja que Cristo está edificando é o princípio da garantia plena da salvação eterna aos que dela se tornam seus integrantes. “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”. (JOÃO 10:28). Esta é uma das declarações mais contundentes e de maior segurança eterna feita pelo Senhor Jesus a respeito dos membros de Sua igreja. A grande verdade aqui é que o fundamento da salvação eterna não está na pessoa que a possui e sim em quem a deu, Jesus Cristo. Ele disse: “Eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”. Fazer parte da igreja cujo construtor é Cristo constitui o maior privilégio e a maior riqueza que o ser humano pode ter na terra.
Outro privilégio de pertencer à igreja que Jesus está edificando é o de se tornar filho de Deus. O construtor da Igreja tem como finalidade congregar em Sua igreja apenas aqueles que, de fato, forem filhos de Deus. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”. (JOÃO 1:12). Algumas pessoas até irão querer fazer parte desta igreja por preservarem algum tipo de herança religiosa que por tradição receberam de seus ancestrais. Isso simplesmente não será possível. A igreja que está sendo construída pertence ao Senhor Jesus. Ele já decidiu quais serão os seus integrantes. Você poderá até fazer parte de alguma igreja cristã aqui na terra, mas isso não te assegurará em nada o fato de também pertencer à Igreja Invisível, a igreja que Jesus está edificando. É necessário tornar-se Filho de Deus pela fé em Jesus Cristo, o Senhor da Igreja.
O construtor da Igreja também tem um plano de desenvolvimento espiritual para os seus membros.

“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito”. (EFÉSIOS 2:20-22).

O poderoso agente utilizado pelo Senhor para o desenvolvimento dos membros de sua Igreja é o Espírito Santo. Ele desempenha um papel de extrema importância nesta obra magnífica. É ele quem aplica a Verdade de Cristo ao Coração do Crente. É ele quem renova a fé, a esperança, o amor, e é também quem conduz o homem ao arrependimento e o coloca aos pés da Cruz de Cristo. Esta obra regeneradora é que produzirá o ajustamento dos membros, a fim de que o edifício seja apto para a habitação de Deus em Espírito.

Alguns outros elementos também são utilizados pelo construtor na edificação da verdadeira igreja. Todos juntos são instrumentos subordinados a ele, através dos quais o seu trabalho se desenvolve continuamente.
“O ministério do evangelho, a circulação das Escrituras, a repreensão amigável, a palavra dita a seu tempo, a influência atrativa das aflições – tudo, tudo são meios e instrumentos através dos quais o seu trabalho tem continuidade, e o Espírito leva vida às almas”. (RYLE, 2010)

Os pastores podem pregar, escritores podem produzir livros de extrema relevância, mas somente o Senhor é quem pode edificar. Cada pedra é colocada em seu lugar e no tempo certo. É bom lembrarmos que o tempo de Deus é diferente do nosso. Às vezes Ele trabalha mais rápido, ora mais lentamente, utilizando pedras de diversas formas e tamanhos. Ele trabalha num plano perfeito, muito bem arquitetado. Grande é a sua misericórdia nesta obra da construção de sua igreja. Ele escolhe normalmente as pedras mais impróprias e brutas e às encaixa à obra mais excelente. Ele não despreza nem rejeita nenhuma delas. Se a igreja fosse nossa, jamais escolheríamos Fariseus e Publicanos para a nossa construção. Mas foram justamente eles que Jesus escolheu e deu estimado valor, como é o caso de Paulo que se tornou uma das principais colunas da Igreja. Ele foi muito importante cooperador, mas tinha consciência de quem era o construtor da igreja. O Apóstolo Paulo plantou, Apolo regou, mas Deus é que deu o crescimento. Assim ele escreve em sua primeira carta aos Corintios:
“Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento”. (I CORINTIOS 3:6-7).
“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito”. (EFÉSIOS 2:20-22).
O Senhor Jesus preservará os seus eleitos até o fim, conforme escreveu o apóstolo aos Efésios: “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito”. (Efésios 5:27).
Devemos ser profundamente gratos pelo fato da obra desta construção estar nas mãos daquele que pode todas as coisas.

UM FUNDAMENTO
Jesus disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. A primeira coisa a considerarmos aqui é que Jesus está se referindo ao fundamento da sua igreja. Seria o apóstolo Pedro? Certamente que não. Se o fundamento fosse Pedro a declaração seria: sobre ti edificarei a minha igreja. De forma tão clara quanto disse: “Dar-te-ei as chaves”. Segundo J. C. RYLE, Jesus não estava falando do apóstolo Pedro, mas sim, da confissão verdadeira que o apóstolo havia acabado de fazer. Não era Pedro o apostolo errante e instável, e sim, a poderosa verdade que o Pai havia revelado a Pedro. Era a verdade que o próprio Cristo era a Rocha. Esta era a Rocha, este era o fundamento, sobre o qual a igreja de Deus deveria ser edificada.

O fundamento da igreja verdadeira foi lançado com um custo elevado. Foi necessário que o Filho de Deus tomasse a nossa natureza sobre si e vivesse com essa natureza; sofresse e morresse, não pelos próprios pecados, mas pelos nossos. Foi necessário que Ele fosse ao sepulcro com essa natureza e ressuscitasse. Foi necessário que Ele subisse ao céu com essa Natureza, porém sem os nossos pecados, e sentasse à destra de Deus, obtendo eterna redenção para todo o seu povo. Nenhum outro fundamento poderia ir ao encontro das necessidades de pecadores desamparados, fracos, corruptos, culpados e perdidos.
Uma vez que se obtenha este fundamento, ele é bem resistente. Ele pode suportar o peso dos pecados de todo o mundo. O ofício mediador de Cristo é um remédio suficiente para todos os tipos de pecados de todo o mundo.

PERIGOS IMPLÍCITOS
Jesus nos fala sobre um enfrentamento que estará diante da sua igreja durante todo o tempo de sua edificação. Parece haver uma contínua relação de oposição à missão da igreja aqui na terra. Sobre esse enfrentamento diário Jesus declara: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Isso significa que os membros da igreja que Jesus está edificando têm a promessa de serem vitoriosos em todos estes enfrentamentos. J. C. RYLE trata a expressão “Portas do inferno” como “Perigos Implícitos”. Mas onde estariam as portas do inferno? (Este lugar que mete medo foi descoberto em 1971 no Turcomenistão, situado próxima a pequena cidade de Darvaz na Ásia Central, uma cratera de 70 metros de diâmetro por 20 metros de profundidade, cuja chama está acesa há 38 anos. veja vídeo: A porta do Inferno (http://www.youtube.com/watch?v=9LBcTHYICYI).

Esta não é, no entanto, a porta do inferno, mas dá para perceber que se trata de um lugar de intenso perigo. Entendemos aqui que há perigos em todo o caminho por onde a igreja for passar. Se os perigos são implícitos, significa que não são vistos facilmente, podem estar camuflados, como armadilhas preparadas para capturarem os displicentes ou desavisados. A verdadeira igreja de Jesus vive em constante batalha contra os poderes do inferno. Isso vem acontecendo desde quando Deus constituiu para si um povo que se tornasse seu particular tesouro. Para a verdadeira igreja de Jesus, seus conflitos são perpétuos, sua batalha nunca termina.

O combate contra os poderes do inferno tem sido a experiência de todo membro da igreja de Cristo individualmente. Como disse J. C. RYLE: “O que é a vida de todos os santos, senão um memorial de batalhas?” Podemos tomar como exemplo as vidas de Paulo, Pedro, Tiago, Lutero, Calvino, os quais foram soldados engajados em uma batalha constante. Quantas coisas ruins também têm saído das portas do inferno em nossos dias? Às vezes alguns cristãos são atormentados por calúnias, mentiras, difamações, ódios, inimizades bebedices, glutonaria, maledicências perseguições... De uma maneira ou de outra o diabo tem guerreado contra a igreja continuamente. Não podemos nos esquecer que temos um inimigo mortal e que sua missão é destruir a igreja que Jesus está edificando. É importante calcularmos o preço e compreendermos totalmente as conseqüências de seguir a Cristo. Por isso devemos tomar alguns cuidados a fim de prosseguirmos vitoriosos conforme já declarado pelo Senhor Jesus.

Não se surpreenda diante do inimigo que vem das portas do inferno
Nós estamos neste mundo, mas não pertencemos mais a ele. Não devemos esperar aceitação ou aplausos deste mundo. Jesus advertiu os membros de sua igreja sobre esse fato: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia”. (JOÃO 15:19). Segundo o pensamento de J. C. RYLE, Enquanto o mundo continuar sendo mundo, e o diabo continuar sendo diabo, haverá um combate, e os crentes em Cristo deverão ser soldados. O mundo odiou a Cristo e odiará os cristãos verdadeiros enquanto a terra existir.Esteja preparado para enfrentar o inimigo que vem das portas do inferno.

O apóstolo Paulo nos fala sobre a armadura de Deus que está disponível para que todo guerreiro do exército de Jesus se equipe para a batalha. “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo”; (EFÉSIOS 6:11). A armadura é um equipamento de guerra que produz proteção e firmeza ao soldado. A armadura de Deus é um equipamento necessário ao crente e deverá ser usada continuamente, uma vez que estamos numa batalha espiritual onde não há interrupções nem descanso. As ciladas estão em todo o lugar e os dardos inflamados não param de ser lançados.

Para enfrentarmos o inimigo que anda em nosso derredor, precisamos estar bem preparados. Esta é a recomendação do apóstolo Paulo aos Efésios:
“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”. (Efésios 6:13).
Seja paciente quando for provado pelo inimigo que vem das portas do inferno
Uma atitude difícil de ser tomada quando estamos submetidos a algum tipo de provação é a de suportar com paciência até que passe a tempestade. Lembremos do servo Jó, o maior exemplo de paciência e perseverança encontrado na Bíblia. Muitas batalhas que enfrentamos em nosso dia-a-dia constituem preciosas oportunidades para desenvolvermos nosso relacionamento com Deus e aprendermos a viver em sua absoluta dependência. Na vida cristã, tudo o que acontece deve ser aceito como oportunidade de crescimento. Assim escreveu o apóstolo Paulo aos Romanos:
“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto”. (Romanos 8:28).
Não seja subjugado pelo inimigo que vem das portas do inferno
Subjugar é submeter pela força das armas; dominar e reprimir. É exatamente isso que o inimigo da igreja de Jesus quer fazer com os seus membros. Uma pessoa subjugada pelo inimigo é obrigada a sujeitar-se a todas as suas vontades. O combate do verdadeiro cristão é um sinal da Graça, assim como a paz interior que ele desfruta. Se você é, de fato, um cristão que faz parte da igreja que Jesus está edificando, cuide para que não caia nas mãos do inimigo e seja subjugado por ele. Não permita que ele faça de você o seu escravo. Observe se não há em sua vida alguma área de escravidão, algum pecado que esteja te dominando e você não tem conseguido se libertar. Se isso estiver acontecendo, você está subjugado e precisa de libertação. Os membros da igreja que cristo está edificando estão equipados para vencer o inimigo e também suas próprias fraquezas carnais. O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios encoraja os crentes a lutarem e vencerem o inimigo:
“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas”. (II CORINTIOS 10:4)

UMA DECLARAÇÃO DE SEGURANÇA
Chegamos ao quinto ponto de compreensão do texto que tomamos como base para conhecermos a natureza da igreja que Cristo está edificando. Nossas atenções a partir de agora estarão voltadas para a declaração de Jesus: “As portas do inferno não prevalecerão”. A promessa desse texto é uma verdade absoluta para todo cristão verdadeiro, para todo aquele que se tornou membro da igreja que Jesus está edificando, a igreja invisível.

Ao longo de sua história, a igreja de Jesus já passou por vales muito sombrios. Alguns do povo de Deus caíram de modo lamentável, como Davi e Pedro, por exemplo. Muitos foram provados de forma cruel, mas por fim se tornaram mais que vencedores. A segurança final de cada pedra viva daquela igreja edificada sobre a rocha; mesmo que sejam pedras frágeis e por mais insignificantes e diminutas que possam parecer, sua segurança final está garantida pela declaração do Senhor da Igreja, Jesus.
Muitas igrejas cujos nomes são mencionados no Novo Testamento desapareceram. Podemos citar como exemplo as igrejas de Éfeso, Antioquia, Filipos, Tessalônica e muitas outras. Elas foram igrejas importantes na construção da história do Cristianismo, mas não existem mais. No entanto, durante todo esse tempo, a igreja verdadeira, aquela que Cristo está edificando permanece viva. Ela é inatingível e as portas do inferno não podem prevalecer contra ela. Fogo, espada, prisões, punições nunca puderam e nem poderão destruir sua vitalidade.

A igreja verdadeira é o corpo de Cristo, é a noiva do cordeiro, é o rebanho de Cristo. Nem sequer um cordeiro doente do seu rebanho perecerá. “para se cumprir a palavra que dissera: Não perdi nenhum dos que me deste”. (JOÃO 18:9). A verdadeira igreja é o trigo da terra. Ela pode ser peneirada, escolhida, malhada e sacudida, contudo, nenhum grão se perderá. A palha e o joio serão queimados. O trigo, porém, será ajuntado no celeiro.

A verdadeira igreja é o exército de Cristo. No final da batalha a relação dos nomes de suas tropas será a mesma que havia no início. Jesus declarou: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”. (JOÃO 10:28). O diabo pode lançar alguns membros da igreja de Cristo na prisão, torturá-los e até matá-los. Mas não poderá jamais tocar na alma de nenhum deles. Satanás com todo o seu poder não poderá jamais expulsar um único crente sequer da igreja verdadeira de Cristo. Aquele a quem você entregou a sua alma tem todo o poder no céu e na terra e Ele te guardará. Maior é Aquele que é por você, do que aqueles que são contra você.

Considerações finais.

Segundo ao pensamento de J. C. RYLE vimos cinco pontos de compreensão no texto objeto deste estudo sobre a igreja que Cristo está edificando:

1. Uma construção: “Minha Igreja”
2. Um construtor: Jesus diz: “Edificarei a minha igreja”
3. Um fundamento: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja
4. Perigos implícitos: “As portas do inferno”
5. Uma declaração de segurança: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

Discorremos sobre cada um destes pontos e agora algumas perguntas precisam ser feitas.

1. Você é membro da igreja verdadeira de Cristo?
2. Em relação à igreja que está sendo edificada sobre a rocha, você é um membro dessa igreja? Você está unido ao grande fundamento? Você está sobre a rocha?
3. Você tem o Espírito Santo em sua vida? O Espírito Santo testifica com o seu espírito que você é um com Cristo, e que Cristo é um com você?
Se você não é convertido a Cristo, você ainda não pertence à “igreja que está sobre a rocha”. Se você não puder responder satisfatoriamente a estas perguntas, cuide para que sua alma não naufrague por toda eternidade. Preste atenção para que no final de tudo o diabo não reivindique que você é propriedade dele, e você seja lançado fora para sempre. Tome cuidado para não ir para o inferno, mesmo estando rodeado de Bíblias, debaixo da plena luz do evangelho de Cristo. Tome cuidado para que, no final, você não seja achado à mão esquerda de Cristo, por nunca ter se unido à igreja verdadeira de Cristo.

Aos que ainda não passaram pela experiência do Novo Nascimento e não se entregaram a Cristo totalmente e os seus nomes não estão escritos no Livro da Vida, a estes, Jesus tem um convite especial: Ele diz “Vinde a mim”. A resposta a este convite precisa ser sem demora. Considere a letra desse hino:

Tal qual estou, eis-me-aqui
Pois o teu sangue remidor
Verteste pelo pecador
Ó Salvador, me achego a ti.

Esta é a maneira de vir a Cristo. Jesus te receberá do jeito que você estiver. Sua Graça será suficiente para perdoar todos os seus pecados e fazer de você uma pessoa digna do seu maravilhoso amor. Jesus disse: “Aquele que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.
Finalmente, uma exortação ao crente que, pela misericórdia e Graça do Senhor, já faz parte da igreja verdadeira, a noiva do cordeiro que foi comprada com o precioso sangue da cruz, que é membro da igreja que Cristo está edificando.

a. Empenhe-se para ter uma vida santa
b. Ande de modo digno da igreja à qual você pertence
c. Deixe que a sua luz brilhe diante dos homens, a fim de que o mundo seja beneficiado por sua conduta.
d. Seja uma carta de Cristo, conhecida e lida por todos os homens
e. Empenhe-se para viver uma vida de coragem. Confesse Cristo diante dos homens em todos os lugares.
f. Regozije-se por pertencer à igreja que está sobre a rocha.

Retomemos as palavras do Senhor Jesus ao referir-se à sua igreja: “e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (MATEUS 16:18). Bendito seja o Senhor Jesus Cristo, o qual nos tornou dignos de pertencermos a esta igreja vitoriosa, igreja comprada com o seu próprio sangue. Aos que já são de Cristo, vivam com dignidade, e como verdadeiros cidadãos do Céu aqui na terra, honrando Aquele que é o construtor da Igreja verdadeira, da qual muitos já fazem parte e nela servem ao Senhor com alegria e singeleza de coração.